Sobre

Profissão: pintor

Assim se define o artista plástico Fernando Feierabend, que prefere ser chamado de pintor. Reconhecido como um dos novos talentos que despontam no mercado das artes. É um artista determinado, que sabe o que quer quando diz: “Sou pintor por essência, instinto e vocação”.

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Aos 10 anos de idade, Feierabend teve sua primeira indagação mais séria a respeito da arte quando observou em uma galeria uma obra do consagrado pintor Tikashi Fukushima (1920-2001) e quis desvendar que universo seria aquele, o da pintura, da expressão e da emoção.

Mal poderia imaginar o menino que, 20 anos mais tarde, a mesma galeria de arte acolheria os seus trabalhos, expondo-os na vitrine ao lado de outros mestres consagrados.

Talento natural

Feierabend teve uma infância dentro dos padrões tradicionais da classe média alta paulistana. Boas escolas, liberdade de escolha, visão considerável das oportunidades. Já na adolescência optou por estudar arquitetura e por ironia do destino a sua opção, a Faculdade de Belas Artes, estava sediada na atual Pinacoteca do Estado.

Isso foi fundamental em sua escolha. A própria arquitetura do prédio o incitava a longas meditações sobre arte e composição arquitetônica. Foi ali que percebeu se identificar especialmente com desenhos geométricos, desenhos de observação e modelos vivos. Desenhava na rua, observando o antigo prédio.

Privilegiado, teve entre seus professores mestres da arte como Renina Katz e Paulo von Poser, que acabaram despertando ainda mais seu interesse por artes plásticas. A partir deste contato mais próximo com a pintura e pesquisando profundamente sua própria essência, concluiu que ali estava seu caminho: o mundo da pintura.

Ao terminar o curso de arquitetura, conheceu o trabalho de Alexandre Wolner e sua relação com a Universidade de Ulm, na Alemanha. Aventurou-se em uma viagem de conhecimentos e por um ano esteve no eixo Itália–Alemanha em constante aprendizado, onde pôde assimilar um pouco da cultura europeia.

De volta ao Brasil, iniciou uma nova etapa de vida, com o curso de pintura no Liceu de Artes e Ofícios. Por dois anos, estudou técnicas e ampliou o conhecimento de materiais os mais diversos. Passou a trabalhar com a tinta óleo e a acrílica.

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Jardineira, Aeroporto de Congonhas, São Paulo, 1997, acrílica sobre tela. Coleção Cláudio J.P. Saltini

Ao contrário de uma corrente de artistas que buscam um equilíbrio estudado para satisfazer a um interesse coletivo, Feierabend mostra-se sem amarras, livre destes condicionamentos e manipula a paleta a seu bel prazer, conseguindo um resultado solto, contemporâneo e iluminado.

O caminho das cores

Aos 25 anos, ainda no período de estudos, fez sua primeira exposição coletiva. A partir daí esteve ativamente em salões de arte e exposições, estudando técnicas e comprometendo-se definitivamente com a cor.

Hoje, Fernando Feierabend tem uma personalidade pictórica quase inconfundível, pois consegue abusar das cores vivas num diálogo privilegiado com as formas. Ali, ninguém fala mais alto: cor e forma se entrelaçam e conversam no mesmo tom.

Sua arte traça o caminho das cores e a abstração das formas. Ele não se interessa por figuras, por desenhos – são as cores que lhe interessam. Juntar todas as cores é sua intenção.

“As formas vêm exclusivamente para organizar as cores”, diz o artista. Como um grande balé, seu colorido exclusivo e pessoal nos faz perceber que o instinto prevalece

na composição que se harmoniza. Não há premeditação, não há jogadas de formas ou estudos anteriores. A arte brota da essência das cores, vinda do âmago do artista, de sua verdadeira natureza.

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Exposição no Centro de Iniciativas de La Caja de Canárias, Las Palmas de Gran Canária, espanha, 2009.
Não há atalhos entre ela e sua criatividade. Ao contrário de uma corrente de artistas que buscam um equilíbrio estudado para satisfazer a um interesse coletivo, Feierabend mostra-se sem amarras, livre destes condicionamentos e manipula a paleta a seu bel prazer conseguindo um resultado solto, contemporâneo e iluminado.
As perspectivas se revelam à medida que nos aprofundamos em sua obra. O equilíbrio aquecido e acontecido naturalmente foi gerado como canal condutor da cor e de

seus efeitos. Em seu trabalho, uma cor pode pedir outra ou não, o artista desliza pela prancheta como o bailarino que compõe sua própria dança.

Nota-se em sua obra influências de grandes mestres tachistas como o próprio Fukushima, que o provocou na infância, mas a sua liberdade de escolha torna sua arte peculiar e personalizada. Na definição de Feierabend: “Minha pintura é um trabalho sério com conseqüências boas”.

Quem apreciar uma tela sua não poderá desmenti-lo.

Sandra Setti, curadora e agente cultural. Atua no mercado de artes há 30 anos, desenvolve projetos culturais e administra vários espaços para a arte.